Óbito

January 22, 2011

Agora com carimbo na mão, sou médico.
Um dos meus primeiros plantões, na emergência da minha cidade, bom, da cidade onde meus pais moram. Uma emergência sem muitos recursos, mas que consegue resolver o básico.
Chego meio-dia para doze horas de trabalho. Uma paciente está na sala de emergência, uma senhora de 87 anos, que passou meio mal a semana toda, porém dizia a acompanhante que na noite passada estava bem, e amanhecera mal.
Estava respirando com máscara de óxigênio, saturando menos de 80%. O pulmão era uma barulheira só. Me parecia ser edema agudo de pulmão. Pedi para ser feito um diurético. Pouco melhorou o pulmão, porém a pressão caiu vertiginosamente. Eu queria fazer mais uma ampola, mas fiquei com medo de derrubar ainda mais a pressão. E se não fosse? Vamos tentar uma nebulização.
Nada dela responder. A saturação ainda ruim, o pulmão ainda feio. Vou ler o que mais pode ser feito. Morfina. Nada de melhora.
Chamo o outro plantonista para me socorrer. Mais experiente, com algum tempo de emergência e UTI nas costas, assume o caso. Aumenta o diurético, entuba a paciente. A pressão cai. Inicia droga vasoativa. A paciente parece deteriorar. O eletrocardiograma mostra um infarto extenso.
A paciente não tem pulso. O monitor cardíaco não fornece parâmetros corretos. Iniciamos a reanimação cardiopulmonar. Ela não agüenta.
O outro plantonista assume a responsabilidade, vai conversar com a família, preenche o atestado de óbito.
Eu vou tomar café e ruminar o atendimento. O que eu poderia ter feito de diferente? O que eu deveria ter feito de diferente? E se…?
Provavelmente não mudaria o desfecho, uma senhora idosa com um infarto assim teria poucas chances de resistir. Mas, e se…?

Adolescente

January 17, 2011

Voltei a me sentir um adolescente. Não, não é necessariamente uma boa coisa.
Tive uma adolescência normal, eu acho. Mas durante a faculdade morei uns cinco anos sozinho, em outra cidade, razoavelmente longe dos pais.
Morar com eles tem suas vantagens, claro. Pedir o carro emprestado em vez de depende de caronas, comida da mamãe, e alguns outros confortos.
Mas a liberdade de poder fazer o que quiser, a hora que quiser…
Agora, formado, médico, volto a morar com meus pais. Amo eles. Mas aqui não tenho meu canto. Não foi aqui que eu cresci, meu quarto não tem a minha cara, não é meu quarto. Não tenho meus horários. Preciso dar satisfação de tudo que eu faço. Pra onde vou? Com quem vou? Quando volto?
Isso é hora de levantar? Isso é hora de almoçar? Isso é hora de tomar banho? Isso é hora de dormir?
Eu pensava em tirar umas férias, morar aqui e ficar de pernas pro ar até viajar para o norte, para onde vou trabalhar com o exército. Mas tive que correr atrás de emprego. Quero sair, quero ver outras pessoas, quero virar gente grande. Quero minha independência.
Hoje, enfurnado no meu (?) quarto, ouvindo metal pesado com o som alto me senti um adolescente novamente. E não gostei.

Pequenas Coisas

November 8, 2010

Em um dia desses, um dia não mais comum ou mais especial que qualquer outro, fui assistir a orquestra tocar.
Se tem uma coisa que me faz desligar e viajar mesmo é música clássica. Não sei porque. Desde pequeno sempre gostei. Agora, um pouco maior, gosto mais. Gosto de fechar os olhos e ouvir cada instrumento, cada voz, cada melodia e viajar nas cores e formas do som.
Sentamo-nos. O teatro pouco cheio. À minha frente um casal de amigos, mais a frente, um casal de meia idade.
Começaram a tocar. Executaram duas peças que eu não conhecia.
Ambas com arranjos para cordas e máquinas fotográficas.
Havia dois fotógrafos. Um parecia profissional, outro com uma máquina profissional. Entram os violinos… CLICK! CLICK! CLICK!… começa uma parte especialmente calma e melancólica da obra, os instrumentos sussurram… CLICK! CLICK! CLICK!… durante toda a apresentação o barulho de obturador. E os [i]flashes do que queria ser profissional. Fotos batidas do fundo do teatro com flash. Durante a apresentação inteira. O senhor sentado a nossa frente, provavelmente pai de algum dos integrantesda orquestra resolveu tirar fotos com o celular. E não teve o bom-senso de desligar o som do “click”. Não bastava a luz da tela encomodando, tinha que fazer barulho.
Pior do que a irritação com o que acontecia ao meu redor e tirava o foco, eu ficava cada vez mais irritado com o fato de estar me irritando em vez de curtir a apresentação.
Entre mortos e feridos, uma excelente apresentação mal apreciada por um espectador irritado por se deixar irritar com as pequenas coisas.

Sutura

October 24, 2010

Conversava com uma amiga e ela me questionava sobre a necessidade de usar animais para o treinamento na hora de dar pontos. Acho que fez diferença para mim. Até dei alguns pontos em objetos inaimados, que não sangravam, mas acho que foi importante a experiência com os ratinhos quando fui dar meus primeiros pontos em uma pessoa.
Óbvio que são bem diferentes, desde a aparência até a consistência, mas ambos sangram de modo imprevisível, e a técnica é a mesma. Passa a agulha, gira-gira o porta agulha, aperta, gira, etc..
Depois de pensar nisso sobre uma xícara de café, comecei a pensar sobre porque essa diferença seria importante, o fato de estar mais seguro para suturar. Bom, primeiro que você transmite mais segurança, e se teve alguma coisa que eu aprendi nesses seis anos de medicina é que você não precisa estar seguro, mas precisa passar segurança, pareça confiante mesmo que não saiba o que está fazendo. Nesse lado, ponto positivo. O fato de ter adestrado a mão também é bom, o resultado fica melhor esteticamente.
Mas, eu realmente me importo com como que vai ficar a cicatriz no cara que chega às 4 da manhã, podre de bêbado, dizendo que caiu de moto porque um carro o fechou?
Ou será que me importo com o meu ego, em olhar ao final da sutura e pensar “é, ficou bom, vai ficar boa a cicatriz, porque você é foda”. Não que eu me sinta assim sempre, mas naqueles cinco segundos depois de terminar o serviço bem-feito, dá vontade de estufar o peito e falar “fui eu que fiz”.
Em uma história correlata, sempre íamos ao mesmo boteco, os garçons quase nos conheciam por nome. De certa feita, um dos entregadores acabou caindo de moto e parou no hospital onde um colega nosso estava de plantão. Trocaram algumas palavras e teve seu dedo suturado. O atendimento no bar sempre fora bom, mas depois daquela vez, este garçom em especial nos tratava de outra forma, sempre mostrava como a cicatriz estava evoluindo. Acho que este tipo de reconhecimento é uma das coisas que me faz seguir na medicina e tentar ser um bom médico. Minha mãe diz que eu quero ser aquele médico para quem os pacientes trazem galinha no fim do ano. Acho que ela tem razão.

Elgar

October 18, 2010

Formatura se aproximando. Contagem regressiva de semanas, estágios e plantões.

Cada vez mais perto das temidas provas de residência e da responsabilidade de deixar de ser estudante universitário e virar médico, com carimbo e tudo.

Há pouco tempo ocorreram umas “olimpíadas” da medicina, de vários estados. Milhares de estudantes, metade da minha faculdade… Meu último como estudante. Caiu a ficha.

Uma semana depois, eu e um colega vamos à orquestra, eles tocaram Pomp & Circustance, de Elgar (quem não conhece por nome, é só jogar no youtube), aquela música de formatura de filme americano. Bateu. E bateu forte. Fazia tempo que não tinha que engolir uma lágrima. Pensando nesses seis longos, mas rápidos, anos. Em tudo o que aconteceu. Tudo que fiz e deixei de fazer. Tempo que se vai, escorre correndo pelas mãos, relógio com ponteiros que parecem mais um ventilador que qualquer outra coisa…

Faz parte da vida. Mais uma mudança para o currículo. Mais uma etapa vencida, mais um desafio batendo na porta.

Mas que porta eu quero abrir?

Assalto

September 16, 2010

Acordara com a cabeça explodindo e a boca seca, resultado da noite anterior. A vontade era atirar o despertador contra a parede e voltar a dormir até o apocalipse. Não podia. Levantou-se e começou a arrumar a mochila, tinha que pegar a estrada.

Mochila pronta, hora do desjejum. Caminhou até o mercadinho na esquina de sua casa. Pegou alguma coisa para comer, um salgado, um pastel, alguma coisa assim, não importava realmente. Um refrigerante para acompanhar.

Foi para o caixa. A sua frente um tipo que chamou sua atenção, não para o bem. Repreendeu-se pelo preconceito. Outro com cara de piá, uns dezesseis, dezessete anos, bigode ralo, se é que pode ser chamado de bigode, nos cantos da boca, moleton escuro, bermuda estampada, tênis tipo skatista. O estereótipo do vagabundo, como diriam em um programa de televisão. Imaginou o que faria no caso de um assalto. Tinha alguma experiência com armas e com defesa pessoal. Divagou até a moça do caixa, uma senhora magra, de óculos, com cara frágil, chamar o próximo. Era ele.

Passou o café da manhã e estendeu o cartão para pagar. Ela perguntou para o moleque se ele queria alguma coisa. Um maço de cigarros, pediu. Algo mais? Sim, o dinheiro do caixa. É um assalto. Sacou uma pistola pequena e a apoiou no balcão, apontando para a caixa.

O comprador travou, carteira em mãos, mochila nas costas. Infelizmente o estereótipo era verdadeiro. Fazer o quê? Tentar desarmar o assaltante que apontava para a caixa? Sacar sua arma e fazer queijo suíço do meliante? Dar voz de prisão? Não, nenhuma dessas era uma opção viável. Manteve-se imóvel.  O ladrão pegou os trocados que estavam no caixa e evadiu-se. Tudo durou, o quê? Um minuto? Dois?

A sensação de impotência. A banalização da violência. Sei lá.

Dizem que não é pecado se não sentir prazer, mas tem quase certeza que gostaria de deixar o vagabundo agonizando em uma poça de seu próprio sangue.

Caixa

August 31, 2010

Acordara com a cabeça explodindo e a boca seca, resultado da noite anterior. A vontade era atirar o despertador contra a parede e voltar a dormir até o apocalipse. Não podia. Levantou-se e começou a arrumar a mochila, tinha que pegar a estrada.

Mochila pronta, hora do desjejum. Caminhou até o mercadinho na esquina de sua casa. Pegou alguma coisa para comer, um salgado, um pastel, alguma coisa assim, não importava realmente. Um refrigerante para acompanhar.

Foi para o caixa. A sua frente um tipo que chamou sua atenção, não para o bem. Repreendeu-se pelo preconceito. Outro com cara de piá, uns dezesseis, dezessete anos, bigode ralo, se é que pode ser chamado de bigode, nos cantos da boca, moleton escuro, bermuda estampada, tênis tipo skatista. O estereótipo do vagabundo, como diriam em um programa de televisão. Imaginou o que faria no caso de um assalto. Tinha alguma experiência com armas e com defesa pessoal. Divagou até a moça do caixa, uma senhora magra, de óculos, com cara frágil, chamar o próximo. Era ele.

Passou o café da manhã e estendeu o cartão para pagar. Ela perguntou para o moleque se ele queria alguma coisa. Um maço de cigarros, pediu. Algo mais? Sim, o dinheiro do caixa. É um assalto. Sacou uma pistola pequena e a apoiou no balcão, apontando para a caixa.

O comprador travou, carteira em mãos, mochila nas costas. Infelizmente o estereótipo era verdadeiro. Fazer o quê? Tentar desarmar o assaltante que apontava para a caixa? Sacar sua arma e fazer queijo suíço do meliante? Dar voz de prisão? Não, nenhuma dessas era uma opção viável. Manteve-se imóvel.  O ladrão pegou os trocados que estavam no caixa e evadiu-se. Tudo durou, o quê? Um minuto? Dois?

A sensação de impotência. A banalização da violência. Sei lá.

Dizem que não é pecado se não sentir prazer, mas tem quase certeza que gostaria de deixar o vagabundo agonizando em uma poça de seu próprio sangue.

Elogios

July 27, 2010

Terminadas as duas semanas de estágio na cardiologia, vou para a pneumologia.

Passei as duas semanas cuidando de um paciente com insuficiência cardíaca grave, em uso de medicação intravenosa contínua para manter o coração funcionando minimamente. Várias vezes ele esta sonolento, piorava, melhorava, inchava, desinchava…

Era uma doença terminal, única opção para curar é o transplante, mas por motivos sociais, ele não seria aceito na fila. Estava aguardando a morte vir. Durante as duas semanas sempre insisti com a minha chefe para que o seu Zé não sofresse nem dor nem falta de ar. Ela ficava meio receosa de introduzir analgésicos mais potentes, eu cheguei a usar o argumento que deixássemos ele morrer sem dor. Ela convenceu-se.

Troquei de estágio, peguei para acompanhar o paciente do leito ao lado do seu Zé, para manter um pouco de contato ainda. Também fiquei com uma senhorinha nos seus 80 anos, que é uma história à parte.

No primeiro dia da pneumo, encontrei minha colega que assumiu o seu Zé, perguntei como ele estava, ela disse que havia perguntado por mim. Fui conversar com ele.

- Ouvi dizer que o senhor sentiu minha falta.

- Pois é, jovem. Já tava acostumado contigo todo dia aqui.

Ele e a irmã elogiaram, falando que era atencioso, comprometido, etc. Fiquei muito feliz com o elogio, apesar de no fundo achar que não só não fiz nada demais, como até fui relapso com ele.

No mesmo dia, primeiro dia com essa senhora da pneumo, uma paciente internada havia quase dois meses, com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), passando o dia com oxigênio, sentindo dor depois de ter caído no banheiro do hospital…

Apresentei-me, conversei um pouco com ela, examinei-a, e quando ia deixando o quarto, ela disse que gostara de mim, que eu era o primeiro que não ia só apertar a barriga e escutar o pulmão.

Não sei quanto aos outros, mas é um dia como esse que me dá ânimo para continuar.

Frio

July 27, 2010

Estágio na enfermaria de clínica médica. Há várias especialidades nesta enfermaria. Eu, na nefro. Faço meu trabalho diário, e espero meus colegas terminarem antes de irmos almoçar. Ficamos conversando. Volta e meia outros colegas aparecem, trocamos três ou quatro palavras, algumas risadas.

Lá pelas tantas, de um dos quartos sai uma mulher, uma acompanhante, chorando e gritando “ela morreu! Ela morreu!”. Todos se olham com uma cara de “quem? como? onde? é meu paciente?”. Uma paciente da pneumo. Duas residentes vão ao leito. Retiram a outra paciente e sua acompanhante. Ficam no corredor. Nos olhamos, agora com cara de “será que vou lá? foi uma parada ou uma morte?”.

A enfermeira leva o carrinho de parada para o quarto. Vão reanimar. Eu e um dos colegas vamos lá. Começam a fazer a reanimação cardio-pulmonar. O desfibrilador do carrinho não funciona. Alguém tem que buscar na UTI. Vou eu.

Saio calmamente do quarto. A acompanhante chora à porta. Ligo para a UTI e subo um andar pelas escadas. No meio do caminho uma das funcionárias vinha apressada com o desfibrilador.Ela me alcança ele e diz para trazer de volta, pois era o único (!). Pego, agradeço e dou meia-volta. Volto calmamente.

No quarto, residentes, staffs, estudantes. Pessoal da pneumo, da UTI, da nefro… Entrego o desfibrilador. Estão entubando a paciente. O ritmo cardíaco é não-chocável, ou seja, não adianta tentar usar o desfibrilador. Alguém faz uma contagem, são quinze pessoas no exíguo quarto. Há uma fila para revezar a massagem cardíaca. Olho em volta, não vejo porque ficar no quarto, além de estorvar mais. Saio e encontro alguns colegas que não foram ao quarto e ficaram fazendo seu trabalho. Alguns olharam no computador e descobriram que era uma paciente de seus 60 anos, com DPOC, internações prévias e outras comobidades. A acompanhante grita que não quer que reanimem, não quer que entubem, que quando ela pediu para que a paciente fosse, o médico recusou.

Volto a conversar com meus colegas. Conversamos como se nada estivesse acontecendo. Outros chegam, perguntam “teve parada? ah, é? ah, só”, e voltam à conversa normal, um pegando no pé do outro, inclusive as piadinhas voltam.

A paciente não volta. Após a tentativa de reanimação, é declarado o óbito. Vamos almoçar.

Mais tarde conversamos sobre o ocorrido. Porra, como a gente é frio assim?

Digo: “mas a gente não é tão frio, a gente se sente mal por não se sentir mal.”

Seja lá o que isso signifique…

Herr

January 12, 2010

Nova mudança de estágio. Clínica médica agora. São basicamente os pacientes que não foram enquadrados em nenhuma subespecialidade.
Paciente nos seus setenta anos, chegou com uma história de sangramento nas fezes. Sangramento este que não se reperiu durante a internação, não foi evidenciado nada de anormal nos exames.
Ele teve que receber uma sonda vesical porque não conseguia urinar. Disse-me, com um sotaque alemão carregado, que haviam machucado ao passar a sonda, inclusive sangrado, e ainda persistia alguma dor. A médica responsável queria aguardar mais um dia, ver se a dor persistia, se era pelo trauma da manipulação de alguns dias atrás ou se seria uma infecção urinária.
Percebendo o sotaque, perguntei de onde era. Era alemão mesmo, nascido na Alemanha.
Ele tinha DPOC, e estava bastante debilitado, acamado. A sua esposa o acompanhava, e era possível ver quão boa cuidadora ela era. Elogiei-a. E fui repreendido.
- Já é a segunda vez que elogia ela, hein? Tô de olho, não se engraça.
Dei risada e pedi desculpas. Quando fui me despedir, fiz em alemão. Trocamos algumas palavras em alemão (esgotei tudo que sabia). Ensinou-me “até amanhã”.
No outro dia, quando vou vê-lo, está mais sonolento, não responde. A pressão está baixa, fez febre. Está séptico. A médica residente também vem, são feitas as manobras necessárias, iniciado antibiótico. O exame de urina viera alterado, a dor era infecção urinária. Em pouco tempo ele recupera o nível de consciência.
Conversamos com ele, explicada a situação, que vai ter que ficar internado por mais alguns dias recebendo os remédios, etc.
Todo dia ele contava alguma história, eu sempre o ouvia. Quase todos da equipe achavam-no rabugento, eu não. Ele me chamava de “doktor” e pela forma reduzida do meu nome em alemão. Eu o tratava por “herr”, senhor, em alemão. Convidou-me para comer feijoada na sua casa quando tivesse alta.
Acho que fazia me lembrar de meu avô. O mesmo jeito rabujento/brincalhão. Por vezes “brigava” com a esposa e piscava para mim com um sorriso. Também tinha cabelos brancos rarefeitos e um vasto bigode na mesma cor.
Continuou bem, melhorando a cada dia. Antes da alta, pediu-me desculpas por ter falado comigo daquele jeito no primeiro dia.

Foi para casa. Não fui comer a feijoada.

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